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Diagnóstico: câncer. E agora?

Apesar dos avanços da medicina, que ampliaram consideravelmente a capacidade de diagnosticar, tratar e curar muitos tipos da doença, o câncer continua sendo uma doença cujo diagnóstico nunca é fácil. Na maioria das vezes, é uma situação que afeta não só o paciente, mas também todos aqueles que se relacionam com ele. Se você está vivendo este momento em sua vida, seja como ?protagonista? ou ?coadjuvante?, saiba que é muito comum sentir-se desestruturado emocionalmente, fruto não só do estigma que o câncer ainda carrega de doença incurável, acompanhada de dor, sofrimento e solidão, mas também dos temores relacionados aos tratamentos, muitas vezes, agressivos e das limitações impostas, mesmo que temporariamente.

Embora cada um vivencie o adoecimento de maneira única, singular e individual posso dizer que a época do diagnóstico é um tempo de medos e fantasias, culpas e questionamentos, revolta e incerteza, inquietações e desamparo.

Neste período, também são comuns as reações iniciais de incredulidade e de questionamentos sobre a validade do diagnóstico, levando pacientes e familiares à procura de outros profissionais para a realização de novos exames em busca da confirmação da doença ou reversão da realidade.

O diagnóstico oncológico traz com ele vivências muito peculiares. A ruptura na forma habitual de vida, a frustração de sonhos e projetos, o caminho do tratamento, por vezes incerto, doloroso e prolongado, a incerteza e a insegurança de futuro são aspectos que podem abalar a sua integridade psicológica e  torná-la (o) mais fragilizado e vulnerável.

Paralelamente, não se pode esquecer que é por meio do adoecer que muitas pessoas se deparam, pela primeira vez na vida, com uma das questões mais angustiantes da existência humana: a finitude, geralmente, só falada e pensada na fantasia, ou então, colocada no futuro, no envelhecimento, no outro, mas quase nunca em nós mesmos.

Perante todas essas vivências, não é raro que você venha a apresentar um estado de profunda tristeza, que merece ser visto com cautela, uma vez que pode dar lugar à depressão propriamente dita. Isso não quer dizer que você precise se esforçar para manter-se forte, confiante ou somente com ?pensamentos positivos? em todos os momentos ao longo do processo. Quer dizer que você é humano e que, diante de algumas situações impostas pela vida, é importante reconhecer que talvez você necessite de ajuda para lidar com elas.

O que mais tenho aprendido com meus pacientes ao longo dos anos de prática clínica é que ter a oportunidade de expressar e compartilhar os diversos sentimentos, ou seja, falar sobre tudo aquilo que dói e incomoda, ainda é um dos melhores caminhos para compreender e enfrentar o medo, a insegurança e as angustias comumente advindas com o adoecimento. Também pode ser uma maneira de ajudá-lo (a) a ter uma postura mais ativa frente à doença, isto é, a participar de todo o processo, procurando, sempre que possível, respeitar seus desejos e suas escolhas na condução do mesmo.
Texto elaborado por Márcia Barone Bartilotti, psicóloga clínica.
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