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Intervenção psicoterapêutica sobre o suicídio: é preciso combater o preconceito


 
Embora tenha conquistado significativo reconhecimento em muitas situações e quadros clínicos, o tratamento psicológico ainda é visto com desconfiança e até mesmo com certo preconceito. Não raras vezes, a procura por um trabalho de apoio psicológico continua sendo vista como sinal de desequilíbrio, fraqueza ou incompetência para enfrentar problemas e desafios pessoais.
 
Assim, não é incomum, mesmo nos dias de hoje, nos deparamos com colocações do tipo “terapia é para louco” ou “para que pagar um profissional se tenho com quem conversar”... Essa postura, infelizmente, pode chegar ao extremo, contribuindo para que muitas pessoas só procurem a psicoterapia quando estão no seu limite, ou seja, quando estão diante da vivência de situações mais graves e limitantes.
 
Nesta segunda-feira (29), acompanhamos na mídia histórias de crianças e adultos que morreram, aparentemente, vítimas de problemáticas semelhantes. Apesar dos contextos e de dinâmicas familiares e pessoais obviamente diferentes, tais histórias nos colocam diante de reflexões importantes a respeito de um ponto em comum: pessoas tomadas pelos seus problemas, ou seja, pessoas invadidas por sentimentos e emoções que beiram o desespero e sem condições mínimas de refletirem e de encontrarem uma direção possível em função da magnitude da situação.
 
Cabe aqui lembrar que o pensamento e a reflexão ainda são as possibilidades que o ser humano tem para situar-se frente a uma questão, a um problema. É a partir do pensamento e da reflexão que o indivíduo tem a possibilidade de equacionar situações e assim passar a olhar a sua problemática e os seus conflitos a partir de diferentes ângulos.
 
Porém, sabemos que há momentos e variáveis que levam algumas pessoas a não conseguirem reconhecer a existência de possibilidades de enfrentamento e assim perceberem que, muitas vezes, as respostas e outros caminhos possíveis estão dentro de si mesmos.
 
Além disso, é importante ressaltar que nos dias de hoje, em decorrência de um cotidiano caracterizado por diversas e intensas pressões, o indivíduo pode ser levado a um estado de insatisfação generalizada que, por sua vez, desencadeia uma série de questionamentos, conflitos, sintomas e sofrimento.
 
É neste cenário que a psicoterapia pode auxiliar a pessoa na tomada de consciência de que somos humanos e, portanto, sujeitos a limitações perante as diversas situações inesperadas que a vida nos impõe.
  
A procura por uma psicoterapia não é, portanto, sinal de desequilíbrio, fraqueza ou incompetência para enfrentar nossos problemas e desafios pessoais. Pelo contrário, o trabalho psicoterapêutico é também um processo de aprendizagem e de desenvolvimento pessoal, pois, quando eficaz, auxilia o indivíduo a modificar suas atitudes, a mudar a visão de si mesmo e, principalmente, a se redescobrir como potencialmente criativo a partir do que é e do que tem, recuperando o sentido de sua vida.
 
Porém a busca pela ajuda guarda em si uma segunda questão importante, que é superarmos esse tabu, esse estigma que ainda paira sobre o sofrimento de ordem emocional. Colaborar na luta contra essa postura, sugerir a procura por um tratamento adequado a pessoas com problemas psicológicos, principalmente depressão, é algo que todos devemos e podemos fazer. A consequência disso? A prevenção e, com ela, a possibilidade de evitarmos vários tipos de desfechos extremos.                    
 
 
 
Texto elaborado por Márcia Barone Bartilotti, psicóloga clínica
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