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Separação conjugal: você já pensou que o ponto de partida para enfrentar uma separação tem mais a ver com o autoconhecimento do que só com a vontade de “virar a mesa”?

É muito frequente a busca pela ajuda psicológica em função dos “problemas do amor”, principalmente quando estes se caracterizam pelas dificuldades vivenciadas na tomada de decisão quanto à finalização de um relacionamento. É também comum neste momento observar que muitas pessoas tentam manter uma relação insatisfatória e/ou frustrante a enfrentar o sofrimento e as dificuldades, geralmente, inerentes à situação mesmo que a relação não seja duradoura.
 
Além da vivência do sofrido conflito entre a vontade de separar-se e a resistência à separação, as incertezas começam a falar mais alto, a confiança em si mesmo e a autoestima ficam abaladas, contribuindo para o aumento da sensação de fracasso diante da impossibilidade da tomada de decisão.  
 
Na escalada das dificuldades a autocobrança se estabelece, prejudicando a capacidade de reflexão e de compreensão – tão necessárias - acerca das inúmeras e reais dificuldades que envolvem esta empreitada. Uma empreitada que é bem mais complicada do que parece, uma vez não há separação apenas do parceiro, mas de toda uma vida construída e compartilhada enquanto casal. Uma vida na qual se incluem sonhos, ideais e projetos em comum, a casa e suas rotinas, o cotidiano familiar (principalmente quando o casal tem filhos) a rede amigos e seus programas, além de questões concretas como a esfera financeira e divisão de bens. Por estas razões é tão comum a presença de sentimentos depressivos, mesclado com sentimentos de luto pelas perdas envolvidas.
 
O conjunto destes aspectos, somado ao fato de que nem sempre o (a) parceiro (a) está de acordo com a ruptura, caracteriza a separação como uma das principais causas desencadeadoras de estresse apontadas nos estudos sobre o tema; nos quais também se incluem a morte de um ente querido, situações de doença e desemprego.
 
Outro aspecto importante que dificulta sobremaneira a tomada de decisão refere-se à falta de clareza em relação aos motivos que, geralmente, vão além das alegações e justificativas, obviamente reais, que levam muitas pessoas a manterem um convívio insatisfatório. Ter consciência disso é um ponto fundamental, pois nem sempre estamos emocionalmente preparados para dar “um salto”. Em outras palavras, é preciso identificar as origens das dificuldades, perceber as angústias que nelas habitam; reconhecer o que precisa ser superado, levando em conta seus limites e potencialidades. De que forma?
 
Não existem receitas prontas, mas buscar rever sua história, compreender aspectos que podem estar tocando em vivências, temores ou feridas não cicatrizadas de seu passado, ou seja, aspectos que estão inscritos em seu psiquismo - porém nem sempre percebidos conscientemente - é uma maneira de promover seu autoconhecimento, se desenvolver, superar proibições internas e, principalmente, se preparar melhor para enfrentar a situação, se permitir a experimentar “novos scripts” e dar a si própria (o) a oportunidade de transformação.
 
Estar disposta (o) a se conhecer melhor é, ainda, um caminho para que você possa elaborar os sentimentos de culpa e de vergonha, comumente presentes, os quais fazem com que sua decisão seja postergada.

Se você está vivendo esta situação, a psicoterapia individual ou a terapia de casal podem ser instrumentos importantes de ajuda para auxiliá-la (o) no amadurecimento e compreensão de suas questões, bem como, na determinação de que rumo deseja seguir de forma mais madura e consciente.  
 
 
Texto elaborado por Márcia Barone Bartilotti, psicóloga clínica.
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